Caps de Rio do Sul realiza trabalho artesanal com pacientes

Pacientes produzem artigos decorativos por meio do conceito de economia solidária

Data de Publicação: 11/11/2019 16:33:27 | Jornalista: Jéssica Sens

A arte como atividade terapêutica. Esse é o mote do grupo de artesanato solidário que é mantido no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Rio do Sul. A atividade reúne cerca de 15 pacientes que utilizam da confecção de trabalhos manuais como uma das ferramentas para tratamento e melhoria da qualidade de vida.

Os pacientes encapam – com tecido – cadernos que podem ser utilizados como livro de receita, produzem bolinhas e guirlanda de natal, lápis decorados, boneca de cheirinho para colocar em gavetas para perfumar, ímã de geladeiras e embalagens de presente com pacotes de leite Longa Vida.

O conceito de artesanato solidário consiste na aplicação dos requisitos de economia solidária, em que várias pessoas elaboram produtos e o orçamento arrecadado é utilizado em prol do coletivo.

“O dinheiro pode ser dividido ou usado para o bem comum. Hoje temos um caixa para compra de matéria-prima, fazer cafés e encontros recreativos”, detalha a assistente social Rúbia Silva.

Na unidade de Rio do Sul a ideia se concretizou após a participação dos servidores em curso sobre o tema, que ocorreu na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. O critério para participar do grupo é genérico. Basta que o paciente tenha predisposição e vontade em aprender, não sendo necessária experiência com trabalhos manuais.

A faixa etária do público varia de adolescentes de 16 anos a senhoras de 70 anos, com predominância de mulheres. A diversidade de faixa etária é vista como um fator positivo para quem participa, como defende a assistente social. Os pacientes do Caps têm histórico de alcoolismo, esquizofrenia, depressão, bipolaridade e transtornos mentais persistentes e mais graves. Rúbia defende que “a troca de vivências enriquece a visão de mundo.

A interação proporciona saber como cada um vive e torna o ambiente propício para descobrir novas habilidades.

“Lembro, como exemplo, o caso de uma paciente esquizoafetiva que ingressou no grupo achando que teria a produção comprometida por tremores nas mãos devido a medicações. Hoje, quando ela vê o que produz se surpreende com a própria capacidade manual”.

Cuidado

O olhar das coordenadoras do programa contribui para que a atividade seja contínua. Visto que, às vezes, pode haver algum momento de crise dos pacientes. A prática terapêutica enriquece a experiência constante do acompanhamento.

“Assim percebemos a evolução e o contato direto facilita notar se existe algum comprometimento do tratamento. A saúde mental não se limita a tomar medicamento, fazer terapia e ir para casa. Devemos incluir o acesso ao lazer, cultura e esporte, por exemplo. Daí a importância das oficinas do Caps que incluem: cinema, jogos, educação física e o contato com a arte para despertar potenciais habilidades”, frisa Rúbia.

A pensionista Tânia Regina de Souza, 64, conta que é paciente da unidade há cerca de dois anos.

“Já confeccionei carrinho com pote de margarina, sacolas decorativas com caixa de leite e móbiles para cozinha. Quando estou aqui me desligo do mundo lá fora, ocupo a mente e é uma ótima experiência para combater a depressão. A gente brinca, se diverte e conversa. Hoje não sinto mais vontade de estar longe daqui”.

Há cerca de oito meses em atendimento no Caps, Maria de Fátima Andrade, 62, defende que as aulas “fazem bem pra saúde, é um convite para que eu saia de casa e possa interagir mais. Quando ocupamos a cabeça esquecemos os problemas”.

Outra participante é Roseli de Oliveira, 60, aposentada que atuou como auxiliar de enfermagem. Para a artesã, participar da atividade “faz com que sinta como se estivesse em família. Se chego triste, quando estou produzindo artesanato me sinto em paz”.

O valor dos produtos varia de R$ 1,50 (sacola de presente) a R$ 35,00 que são as guirlandas. A oficina acontece toda quarta-feira das 9h às 11h. A equipe é coordenada pela assistente social Rúbia Silva e a psicóloga Laise Versino. Os produtos podem ser adquiridos sempre na segunda sexta-feira do mês na feira da praça Ermembergo Pellizzetti, das 8h às 12h. E também nas segundas-feiras no próprio Caps, quando é armada uma banca para exposição do artesanato, das 8h às 11h.

Horário de atendimento do Caps:

De segunda a quinta-feira das 7h30 às 17h30. Sexta-feira: das 7h30 às 12h. O Caps fica na rua São João, 325, Centro. Em frente ao laboratório Vidas. Mais informações: 3525-3645.

Departamento de Comunicação:Mário Dáud

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