Nesta segunda-feira (29) ocorreu no centro de eventos Hermann Purnhagen, a 3ª edição do Seminário Regional Sobre Autismo. A iniciativa ficou a cargo da Prefeitura de Rio do Sul, por meio da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e da Associação de Familiares de Pessoas com Autismo e Deficiência Intelectual (Afadi) e teve o apoio da Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi). O evento durou o dia todo e contou com palestra e atividades práticas organizadas pelo fonoaudiólogo Miguel Cancino.
O prefeito, José Thomé, destaca as ações do Poder Público Municipal para promover políticas públicas para o segmento.
“Hoje dispomos de 10 consultas com neuropediatra por mês exclusivamente para crianças matriculadas na rede municipal de educação para que obtenham laudos. Assim as famílias podem realizar tratamento e vivenciar mais cidadania”. Citou, ainda, as 40 vagas para alunos com deficiência, que realizam aulas de natação adaptada, em ação realizada em parceria com o Clube de Caça e Tiro Dias Velho.
Multidisciplinaridade
Thomé lembrou ainda sobre o trabalho realizado pelo Núcleo de Atendimento Educacional Especializado (Naee). Espaço que reúne atendimento multidisciplinar com psicólogo, educador social, nutricionista, psiquiatra e educador físico.
“Uma equipe preparada para oferecer diagnóstico para crianças e, de fato, promover a inclusão social”, pontua.
A presidente da Associação de Familiares e Amigos de pessoas com Autismo e Deficiência Intelectual (Afadi), Silvane da Silva, destaca a importância dos “profissionais de saúde e da conscientização promovida por eles. É tão bom ser solidário, nos ajudar, dar atenção a este tema. Eu defendo que os pais não precisam se sentir sozinhos quando recebem o diagnóstico. Com intervenção e tratamento terapêutico, essas crianças podem apresentar um quadro natural de desenvolvimento e tornar a vida muito mais leve”.
O momento principal do evento ocorreu com o conferencista e fonoaudiólogo Miguel Cancino. Autor de vários livros sobre o assunto e profissional que soma quase 30 anos de experiência como terapeuta, já tendo atendido seis mil crianças de diversas nacionalidades.
O palestrante defende que uma criança com autismo significa o mesmo que uma família com autismo. Sugeriu, ainda, a importância de atividades físicas para tratar este público.
“O autista é como um estrangeiro num país desconhecido. Há dificuldade de linguagem, interação e comunicação”.
Para Cancino, “o diagnóstico de autismo não é o fim do túnel, mas sim, o ponto de partida”. Pois para o médico, constatar a limitação expressa no laudo não significa, necessariamente, que este quadro será mantido ao longo da vida. “Uma coisa é um ser com autismo, outra coisa é um ser inútil”, sentencia.
“Existe distinção entre diferença e deficiência. A pessoa com deficiência vê a vida de forma diferente e precisa ser compreendida como uma pessoa diferente”.
Departamento de Comunicação – Mário Dáud